Quando o escudo vira peneira

Você já sentiu um medo, mas um medo tão forte que te paralisa, faz chorar e tremer? E quando você está assim e vê que seu escudo protetor é uma peneira? Nesses casos é essencial ter um escudo forte ao lado, senão a guerra está perdida.

O pânico que pode vir em uma crise paralisa. Eu brinquei com minha realidade e agora estou com dificuldades para sair de casa. Fiz pouco caso do meu transtorno bipolar e agora estou travada. O que me dá uma certa paz é lembrar com positivismo que já tenho horário marcado na terapia. 

Na minha família existem outros casos como o de depressão e bipolaridade e uma tia, que enfrenta a depressão disse ao telefone “tenho medo de ter medo”, e é bem por aí. Hoje achei que fosse vomitar meu coração de tanto trancar o choro por conta do medo.  Ainda bem que eu não estava sozinha. Ainda tenho alguns comprimidos de Seroquel que me ajudaram a me segurar até a ida ao psiquiatra.

 

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Indo aos poucos

Hoje tem dica de culinária! Veja em DICAS

 

Como havia dito anteriormente hoje seria o dia que eu iria buscar marcar a terapia. Consegui! Já passei por cerca de 5 terapeutas desde que iniciei acompanhamento psicológico (já tem cerca de 16 anos que recebi o diagnóstico de bipolaridade). Durante esse processo eu interrompi o tratamento por conta própria algumas vezes, ficando sem acompanhamento por cerca de 8 meses aproximadamente em cada interrupção. Tenho consciência de que isso não é bom, mas realmente tenho dificuldade em aceitar o tratamento… Sei lá… é tanto remédio… não gostaria de passar a vida tomando tantos remédios, mas sei que quando estou em tratamento sou mais ativa e organizada em alguns aspectos. Bem, a terapia será dia 25/08. Acho que tive até sorte de conseguir atendimento assim, para daqui uma semana… imaginei que iria demorar mais. Fiz um cartão de descontos, a mensalidade de tal cartão é acessível e ganho desconto no atendimento… Não sei se os serviços ofertados serão realmente satisfatórios, mas espero que sim. Fiz o Cartão Clube Vida e posso utilizar os serviços ofertados pela Clínica Salute, que fica perto de onde estou morando. Anteriormente fazia tratamentos também particulares, Por um período utilizei os serviços da Fundação Universitária Mário Martins. Foi lá que iniciei meu tratamento. O atendimento foi bom, e na época também havia um sistema de valores mais acessíveis… Depois passei a ir em consultórios particulares… os valores eram bem salgados, cerca de 200 reais cada encontro… 

Dia 25 terei este compromisso. Me esforçarei para manter a frequência necessária para meu caso. Estou otimista!

Sem vinho o que resta

Estou em plena idade ativa e estou completamente inativa. Acabou meu vinho e já são 11:40 da manhã. Não estou desesperada mas gostaria da minha taça de vinho das 11:30 e já estou em atraso com o Deus Baco. Ok, vou tentar sublimar esta necessidade por mais algum tempo, Sair na rua para comprar o vinho me parece pior do que ficar sem ele. 

Ontem dormi no sofá da sala, passei a noite tentando assistir algum filme mas depois do último que vi no cinema não consigo me interessar por mais nenhum… Assisti tem cerca de 2 meses ao filme THE LUNCHBOX e me encantei. Fica a dica para quem ainda utiliza locadoras de vídeo.

Hoje fui solicitada para fazer feira, mas parece que houve uma mudança de planos e eu não precisarei ir. Até estava gostando da ideia pois na feira que tenho costume de ir tem uma banca onde tem um gringo que trás um vinho colonial lá de Veranópolis que é bem bom. Tá, é um vinho colonial, mas é realmente bom e acho muito interessante estas produções artesanais. Gosto também dessas coisas mais simples ou rústicas… 

Não se apavorem com esse meu pensamento frenético no vinho a esta hora do dia, mas é que aqui no sul estamos com problemas no leite… Parece que alguns lotes receberam formol. As pessoas ficam preocupadas e eu não fujo da regra. Estou evitando o leite… 

Vou ver se hoje consigo fazer uma forcinha para sair na rua… Ando me escondendo. Desde quinta-feira não saio de casa. É, estou preocupada, segunda dou um jeito de marcar a terapia. Andei lendo alguns blogs e textos sobre Bipolaridade e muitos afirmam (assim como os terapeutas e psiquiatras pelos quais já passei) que a interrupção do tratamento medicamentoso gera um prejuízo grande aos neurônios, e já escutei alguns relatos da sensação de “emburrecimento” que a queima de neurônios traz. É, me sinto emburrecida em alguns momentos. Que sentimento medonho este de perceber que sua agilidade de raciocínio rola ladeira abaixo. 

Apesar de me sentir um pouco pra baixo com estas constatações, nas minhas leituras também me deparei com relatos de outras pessoas que enfrentam este mesmo transtorno. Muita gente utiliza a escrita para desabafar, ocupar o tempo e abrir seu leque de amizades e contatos. Desta forma este tema vai perdendo o mistério, vai ganhando outro rumo.

Achei bem bacana a página DIÁRIO DE UM BIPOLAR, Me guiei por ela para iniciar minha escrita.

Pode ser bom

E se o meu país fosse um jardim?

Poderia ser bom mas não é tudo isso. Hoje estava pensando em retomar minha terapia pois estou sem este acompanhamento a algum tempo. Andava cansada da rotina de falar da minha vida como se falasse da vida alheia mas percebo que falar da vida alheia é bom, ainda mais quando esta “alheia” sou eu mesma, mas hoje é sábado e como gosto de manter tradições só resolverei a terapia na segunda-feira. Por hora vou escrever, o que é um belo passatempo!

O título da página lhe pareceu longo? Bem, retirei a ideia de uma música de Chico Buarque, “E se”. Foi daí que me veio a inspiração para dar início aos textos pois estou numa situação que eu não sei se é obra da idade ou se é obra da situação em que me encontro… Pode ser uma junção disso. Eu enfrento o transtorno de humor bipolar, o que atualmente não é mais nenhum bicho de 7 cabeças mas como qualquer transtorno ou problema de saúde só quem tem é que sabe o tamanho do calo e a dor que este causa e sendo assim, em tudo que faço ou penso em fazer me vem a frase “e se…”. Ando insegura em tudo o que eu faço e como sempre fui muito introvertida sinto dificuldades absurdas em tomar decisões e externá-las. Mas apesar de enfrentar essa chatice e estar sem terapia, estou me virando para me manter bem. Adotei o chá de camomila, o vinho e reclusão para me reorganizar. Pode não ser  melhor solução, mas pelo menos assim me mantenho tranquila.

Nesses últimos dias fiz mudanças abruptas, passei por uma cirurgia onde retirei a tireoide, troquei de curso na faculdade e larguei o estágio pois com a mudança de curso tive de interromper minha atuação. Troquei da Pedagogia para a Biologia. É… foi uma mudança abrupta, tenho noção disso. Mas agora vou ver até onde aguento pois  se eu meter mais um “e se…” nessa história eu entro em transe. Sem emprego, sem estágio em um novo curso terei de engolir minhas próprias dúvidas. E correr para a terapia… Sei que promessas são coisas difíceis de cumprir para uma pessoa na minha situação, mas segunda dou notícias da marcação com o terapeuta!